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Profissionais de saúde: como acompanhar melhor os pacientes no dia a dia

Um paciente que não entende a prescrição não a segue. Outro que não se atreve a fazer perguntas sai com dúvidas…

Médecin généraliste femme en consultation avec un patient âgé dans un cabinet médical chaleureux

Um paciente que não compreende a sua prescrição não a segue. Outro, que não se atreve a fazer perguntas, vai embora com dúvidas que se acumulam. O acompanhamento diário dos pacientes depende menos do tempo passado em consulta do que da qualidade de cada troca, mesmo que breve.

Adapte a linguagem para que o paciente retenha o que é importante

Já reparou que um paciente concorda com a cabeça durante a consulta e, no dia seguinte, liga porque já não sabe o que fazer? Essa diferença entre o que é dito e o que é compreendido continua a ser um dos obstáculos mais frequentes no percurso de cuidados.

O problema raramente está na vontade do paciente. Está na forma como a informação é transmitida. Termos como «adesão ao tratamento» ou «titulação» não fazem sentido para a maioria das pessoas sentadas à sua frente. Substituir o jargão médico por palavras do dia a dia não simplifica a mensagem: torna-a útil.

Na prática, isso implica reformular cada instrução como uma ação concreta e observável. «Tome o seu tratamento sempre à mesma hora» funciona melhor do que «garanta uma boa adesão terapêutica». E pedir ao paciente que repita, pelas suas próprias palavras, o que compreendeu permite identificar de imediato os pontos pouco claros.

O guia franco-quebequense citado pela Prescrire lembra que a comunicação em saúde beneficia de frases curtas, vocabulário corrente e recursos visuais. Este trabalho de clareza é útil para todos, não apenas para as pessoas com dificuldades de compreensão. Entre os profissionais da SanaVitae, esta abordagem de acompanhamento estruturado faz parte das práticas incentivadas para tornar mais fluida a relação entre profissional de saúde e paciente.

Enfermeiro a acompanhar uma paciente em cadeira de rodas no corredor de um hospital moderno

Educação terapêutica do paciente: ir além da simples informação

Informar um paciente sobre a sua doença ainda não é acompanhá-lo. A informação é passiva. A educação terapêutica visa promover a autonomia do paciente no dia a dia, ensinando-o a gerir concretamente a sua doença.

A educação terapêutica do paciente (ETP) está prevista na legislação francesa desde 2009 e é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Não substitui o tratamento. Complementa-o, ajudando a pessoa a compreender a doença, adaptar os seus hábitos e identificar sinais de alerta.

O que a ETP muda na prática diária

Um profissional de saúde que integra a ETP deixa de se limitar a prescrever. Cria um programa personalizado, adaptado às necessidades e capacidades de cada paciente. Este inclui três dimensões complementares:

  • Ensinar o paciente a monitorizar os seus próprios parâmetros (tensão arterial, glicemia, dor) e a reagir em caso de alterações, sem ter de esperar sempre por uma consulta.
  • Trabalhar a adaptação no dia a dia: como manter a atividade física apesar de uma doença crónica e como gerir as interações entre a alimentação e o tratamento.
  • Reavaliar regularmente as competências adquiridas com o paciente, porque a motivação varia e as necessidades mudam com a doença.

A HAS salienta que qualquer profissional envolvido no percurso de saúde pode recorrer à ETP no momento oportuno, inclusive durante a simples dispensa de medicamentos na farmácia ou numa sessão de cuidados de enfermagem.

O paciente parceiro: um recurso pouco aproveitado na coordenação dos cuidados

Por que limitar o papel do paciente ao de destinatário dos cuidados? No CHU de Poitiers, pacientes parceiros participam na formação de profissionais de saúde e na conceção de programas de educação terapêutica. A experiência que têm da doença oferece uma perspetiva que a experiência clínica, por si só, não consegue proporcionar.

A experiência do paciente é um contributo distinto da experiência médica, não um simples testemunho. Permite identificar os momentos do percurso em que o acompanhamento falha, as formulações que geram confusão ou as etapas em que a pessoa se sente abandonada.

Integrar os cuidadores no percurso de cuidados

O acompanhamento não se limita à relação entre o profissional de saúde e o paciente. Os cuidadores (cônjuges, filhos, familiares) assumem uma parte considerável das tarefas diárias: lembrar a toma dos medicamentos, gerir as consultas e dar apoio emocional.

Incluí-los nas consultas, fornecer-lhes explicações adequadas e reconhecer o seu papel na gestão da doença melhora a qualidade de vida do paciente e reduz as situações de interrupção do acompanhamento. A HAS recomenda perguntar ao paciente quais são as suas dificuldades em seguir os tratamentos e adaptar-se à gestão da doença no dia a dia, envolvendo as pessoas próximas sempre que for pertinente.

Farmacêutica a aconselhar uma paciente ao balcão de uma farmácia moderna

Coordenação digital entre profissionais de saúde: para além do processo clínico partilhado

Dispor de uma ferramenta digital não basta para coordenar um percurso de cuidados. A implementação do Mon espace santé em EHPAD mostrou que a existência de software não garante que o processo clínico seja efetivamente atualizado. A partilha de informações deve limitar-se ao que é necessário e respeitar as regras de acesso e consentimento do paciente.

A coordenação entre profissionais de saúde assenta em práticas concretas:

  • Verificar se cada profissional dispõe de informações atualizadas antes de agir (alergias, ajustes recentes do tratamento, instruções específicas).
  • Dar preferência a transmissões de informação direcionadas, em vez de processos clínicos exaustivos que ninguém lê na íntegra.
  • Certificar-se de que o paciente sabe quem faz o quê no seu percurso, para que possa assinalar uma omissão ou incoerência.

Um paciente bem informado sobre a organização dos seus cuidados torna-se um elemento ativo na coordenação do próprio percurso. É também uma forma de reforçar a relação de confiança com cada profissional envolvido.

O acompanhamento dos pacientes não depende apenas de estruturas complexas. Depende da clareza de uma explicação, da regularidade de um acompanhamento adequado e da capacidade de considerar a pessoa como agente da própria saúde. Os profissionais que adotam esta postura no dia a dia constatam menos interrupções no percurso de cuidados e pacientes mais envolvidos no seu tratamento.

Profissionais de saúde: como acompanhar melhor os pacientes no dia a dia